segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Nosso Relato Reflexivo...

   As tecnologias de comunicação estão cada vez mais presentes no nosso cotidiano, principalmente na vida das novas gerações. A escola, consequentemente, não pode manter-se distante, segregada desses avanços, da realidade dos educandos. Pelo contrário, a escola deve ensinar o aluno a lidar com tantas informações para que haja a construção do conhecimento.



   O professor, como mediador dessa relação aluno-tecnologia precisa conhecer as novas formas de linguagem, de interação, de construção do conhecimento. Este curso, Leitura e Escrita no contexto digital, oferecido a nós professoras por meio da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores do Estado de São Paulo “Paulo Renato Costa Souza”, procurou desenvolver ou ampliar essas habilidades essenciais para o professor do sec. XXI.


   Agora estamos na reta final e uma das nossas últimas atividades foi a elaboração de um relato reflexivo sobre o curso, vejam como ficaram nossos relatos individuais.



Rosalva Teixeira Barro
A Era da Informação e do Conhecimento que vivemos nos mostra um mundo novo, na qual o trabalho humano é feito pelas máquinas, cabendo ao homem a tarefa para a qual é insubstituível: ser criativo, ter boas idéias.


Desenvolver competências e habilidades na busca, tratamento e armazenamento da informação transformam-se num diferencial competitivo dos indivíduos.


Não somente ter uma grande quantidade de informação, mas sim que essa informação seja tratada, analisada e armazenada de forma que todas as pessoas envolvidas tenham acesso sem restrição de tempo e localização geográfica e que essa informação agregue valor às tomadas de decisão.

Para isso é necessária uma grande mudança de paradigma, pois o ritmo acelerado das inovações tecnológicas, assimiladas tão rapidamente pelos alunos, exige que a educação também acelere o passo, tornando o ensino mais criativo, estimulando o interesse pela aprendizagem. O que se percebe hoje é que a própria tecnologia pode ser uma ferramenta eficaz para o alcance desse objetivo. 

Participar do curso Leitura e Escrita na Era Digital trouxe-me conhecimentos sobre a importância da comunicação, a evolução da tecnologia da informação, como utilizá-las, a quem compete desenvolver as competências leitoras e de escrita na escola, que leitura e escrita são habilidades indispensáveis para a formação de um estudante, a importância da reflexão sobre a produção escrita, a diferença entre alfabetização e letramento, o domínio das competências discursivas e cognitivas que conferem ao indivíduo um diferenciado estado ou condição de inserção em uma sociedade letrada, a introdução de novas práticas sociais de leitura e escrita, a definição de texto, letramento digital, hipertexto, os mecanismos de produção, reprodução e difusão da escrita, intertextualidade, cultura escolar, experiências de leitura, as características do texto, os diferentes gêneros, a leitura e a escrita como práticas pedagógicas e a certeza de que há muito que se realizar na escola com relação a mudanças das práticas de leitura e escrita.

Produzir textos para o contexto digital principalmente para o Blog foi muito interessante como ferramenta de informação e conhecimento colaborativo.

Os conteúdos aprendidos no curso constituíram instrumentais fundamentais para a percepção de leitura e escrita a partir das minhas construções.


Roseli Ritter
Já participei de vários cursos EAD e os fóruns são essenciais para a aprendizagem, pois nesse ambiente podemos tirar dúvidas e trocar experiências, mas nem sempre ele é explorado. Neste curso, a interação foi produtiva e significativa para minha formação e agradeço a todos por isso.


De modo geral, posso dizer que este curso trouxe várias contribuições para minha formação, não só como professora, mas como ser humano. Reviver lembranças sobre o processo de leitura, enriquecer as aulas com dicas dos colegas sobre práticas didáticas e aprender como criar um blog, foram experiências marcantes no percorrer desses dois meses.

Acredito que a participação e a mediação competente da tutora ajudaram a todos a persistir e vencer as dificuldades; a interação, os comentários especializados dos colegas nos fóruns fizeram com que meu interesse por ler e participar do fórum fosse constante.

Nas minhas aulas, já comecei a aplicar o que foi aprendido aqui, como: resgatar experiências sobre a leitura e a escrita, produção de diferentes gêneros a partir de uma mesma sequência temática, ressaltando principalmente o contexto de produção (autor, leitor, finalidade do texto) e as dicas dadas pelos colegas como o debate sobre o uso dos celulares na sala de aula (depois do debate o uso continua, mas em menor escala).

Foi interessante produzir textos para compor o blog de grupo, acredito que os textos individuais ficaram ótimos; no entanto, houve dificuldade para produzir textos em conjunto, uma vez que a interação nesse aspecto, a meu ver, deixou a desejar. Isso talvez, devido à distância e à correria de final de ano. Tive sorte de participar de um grupo que sobreviveu ao curso todo, visto que muitos colegas da turma deixaram de participar.

Reafirmo meus agradecimentos à tutora e aos colegas por contribuírem para que esse curso fosse significativo para mim. Senti prazer em estar com vocês durante esse tempo e sentirei saudades de nossas conversas.

Abraços


Katia Eliane Carvalho Gonçalves
Apesar de todas as dificuldades e correria do dia a dia, foi muito prazeroso. O curso leitura e escrita em contexto digital deixou bem claro que trabalhar a escrita e a leitura é dever de todos nós professores, independente da área em que cada um atua. Tive contato com diferentes gêneros textuais, o que contribuiu muito para ampliar o meu conhecimento e melhorar a minha prática pedagógica. Gostei muito dos trabalhos em grupo, acho que isso contribui muito para o nosso crescimento, pois cada colega de grupo carrega consigo uma bagagem de conhecimento. 
Resgatar as nossas experiências com a leitura e a escrita, foi muito interessante, pois recordei a minha infância e notei que muitos colegas passaram por experiências parecidas com as minhas. Continuo com dificuldade em escrever, passar o que você eu estou pensando para o meio físico é muito difícil. Acho que na confecção da Crônica eu levei várias horas para finalizar o texto. Mas tenho que continuar tentando!! Quanto à construção do Blog, não senti dificuldade, já tenho um de vendas a mais de três anos, mas foi muito gratificante usar essa ferramenta para expor as minhas ideias e de meus colegas. Gostaria de agradecer a participação e a colaboração de todos os cursistas e também da nossa tutora. 

Obrigada a todos.


Michelle Cristiane Melo Reis
O curso me proporcionou um aprendizado muito especial, pois mudou a minha postura com relação à leitura e a escrita, não que eu não desse importância, mas me fez relembrar do encanto que a leitura tem que exercer sobre nós, por que se não demonstramos gostar de leitura como contagiaremos nossos alunos a gostarem. Aprendi vários conteúdos e conheci autores novos, importantes para compreender melhor a leitura e escrita. 

As participações nos fóruns, principalmente do grupo 5, me fez conhecer colegas, trocar experiências, enxergar pontos de vistas diferentes dos meus, me fez ver o meu ponto de vista escrito de várias formas diferentes por pessoas que não teria a possibilidade de conhecer se não fosse esse contexto digital. A construção do blog me ensinou que precisamos utilizar dessas ferramentas para melhorarmos a nossa comunicação com os alunos e que o blog não é nenhum ¨bicho de sete cabeças¨.

Com tudo isso acredito que as minhas aulas melhorarão bastante, como já pude perceber com a introdução de algumas estratégias discutidas no curso.
Agradeço a todos pela contribuição e atenção

Bjs





   A construção deste blog foi uma experiência maravilhosa! O grupo se dedicou e com muito empenho e dedicação conseguimos concluir este importante trabalho em equipe.



  Agradecemos a nossa tutora Mara, sempre muito atenciosa, nos transmitindo coragem e nos apoiando durante todo nosso processo de aprendizagem e a todos nossos colegas de curso que muito contribuíram para o nosso aprendizado.


   Este foi um curso maravilhoso e muito compensador, nos ajudou a refletir sobre nosso trabalho pedagógico e contribuiu para nosso melhor desempenho em sala de aula. 


Estaremos esperando as suas críticas e/ou sugestões.

Abraços a todos!



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Sobre nosso curso





Olá Amigos!!

   No período de 26/09/2012 à 20/11/2012 nós, autoras deste blog, estaremos realizando o curso online "Leitura e Escrita em Contexto Digital", oferecido pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo aos professores da rede pública de ensino por meio da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores do Estado de São Paulo “Paulo Renato Costa Souza”. 

  O curso é dividido em módulos e tem como objetivo possibilitar aos educadores em formação o conhecimento e a utilização de novas tecnologias de comunicação e informação, por meio do uso de diversas mídias interativas, discutindo possibilidades de uso que contribuam em sua formação continuada, o que engloba a sua própria formação cultural e prática educativa. 

  O trabalho proposto neste módulo pretende fornecer subsídios para que se possamos reconhecer as características de textos, relacionando-as ao gênero e aos demais elementos do contexto de produção. 

  Para isso, é importante que entendamos as Esferas de atividades humanas e os gêneros do discurso. 

  Todo texto falado ou escrito pertence a um determinado gênero do discurso, o qual é constituído por três elementos: conteúdo temático, forma composicional e estilo. 

  Todo gênero do discurso está sempre relacionado a uma esfera de atividade humana que, por sua vez, insere-se em um contexto sócio-histórico e econômico. 

   Em nosso curso trabalhamos o conceito de esferas de atividades humanas e sua relação com os gêneros do discurso. Para isso, cada grupo de estudo escreveu um texto diferente sobre um mesmo assunto, seguindo as características de cada gênero: 

  • Conversa telefônica: que são relatos subjetivos de quem acompanhou os fatos; 
  • Interrogatório: que trata-se de um relato na ordem dos acontecimentos, com muitos detalhes dos fatos; 
  • Notícia de jornal popular: são relatos em ordem decrescente, chamando a atenção do leitor em linguagem popular; 
  • Notícia de jornal para as classes A e B: relatos do mesmo tipo (decrescente), porém em linguagem mais formal e coloquial, sempre com muita precisão dos fatos e acontecimentos; 
  • Crônica: também em ordem decrescente do que se supõe ser a informação mais importante para o leitor, usando uma linguagem literária e coloquial. 

  Foi solicitado ao nosso grupo de estudo que redigíssemos uma crônica. E assim fizemos!!! O resultado vocês apreciam na próxima postagem.

  Ficaremos muito felizes com a sua visita e esperamos seus comentários, troca de ideias e sugestões para nosso trabalho. 

Abraços e boa leitura.

Nossas Crônicas

Olá Queridos Leitores...

      Os manuais de redação, em sua maioria, descrevem a crônica como um texto que mistura características do jornalismo e da literatura, pois é publicado no jornal, mas como não tem o objetivo de informar, usa imaginação e também uma linguagem conotativa e subjetiva.

    Por ser um gênero híbrido, a crônica não tem uma estruturação pré-definida, como outros gêneros (exemplo: artigo de opinião, fábula, receita culinária) nem uma temática privilegiada. É um gênero que transfigura a vida de modo geral.

Crônicas escolhidas,
Machado de Assis.
      Em Nascimento da Crônica, Machado de Assis diz: “Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela”[1]. Ou seja, a crônica inicia-se a partir de um fato banal (ou não) do cotidiano que chama a atenção do autor. A esse fato o autor acrescenta uma pitada de imaginação, vai tecendo os fatos com ironia, sensibilidade, poesia, humor, e assim vai deixando o texto subjetivo, reflexivo, gostoso de ler.

   Há vários tipos de crônicas: descritiva, narrativa, descritivo-narrativa, reflexiva, metalinguística. Para ampliar seus conhecimentos sobre os diversos “tons” desse gênero, sugerimos a leitura dos textos abaixo:

O Homem nu,
Fernando Sabino.
O homem nu e A última crônica de Fernando Sabino; 
A vaca virtual de Carlos Heitor Cony;
O que temos visto por aí??? de Arnaldo Jabur. 
A nuvem e O mato, de Rubem Braga.

[1] ASSIS, Machado de. Crônicas escolhidas. São Paulo: Ática, 1994,


   Abaixo, a coletânea de textos produzidos por nós...

   Aproveitem a leitura e interajam! Aguardamos os seus comentários. 


URGÊNCIA

  Depois de revirar por horas na cama sem dormir, abri os olhos com dificuldade, dobrando o corpo para consultar o relógio de cabeceira que sinalizava seis horas. Levantei-me, num salto, pois estava atrasada para as papeladas que me esperavam no escritório. Era o prazo final para a entrega à promotoria. Fui rapidamente ao banheiro, escovei os dentes e lavei o rosto pálido e cansado. Sonolenta, ouvi a campainha da porta. Quem seria a esta hora? E o meu atraso? Que hora mais inoportuna para visitas! Enxuguei-me às pressas e saí preocupada do banheiro. Caminhei até a porta, destranquei a fechadura, abri-a e apavorada vi um homem caído na soleira da porta. Assustada e já desperta totalmente, corri o olhar em torno e constatei que não havia mais ninguém no corredor a não ser eu e o homem ali caído. Abaixei-me, toquei-o com os dedos e senti que seu corpo estava frio e rígido. Percebi que era um cadáver. O pavor tomou conta de mim, mesmo acostumada a fatos envolvendo crimes e mortes na profissão, não me imaginava numa situação assim. A violência crescia na cidade de forma avassaladora. Não conhecia aquele homem. Que mistério seria esse de estar justamente na minha porta? Alguém o deixara ali e saíra correndo. Entrei rapidamente e corri ao telefone discando o número central da polícia. A papelada e a promotoria teriam de esperar naquele dia. Algo mais misterioso e urgente me aguardava.
                                                          ROSALVA TEIXEIRA BARRO

A morte na minha porta
   
   Na sexta-feira de manhã, acordei mais cedo, pois iria viajar, tomei banho, fiz café, acordei as crianças, estava me trocando quando a campainha tocou. Abri a porta e não vi ninguém, dei um passo e nos meus pés senti algo morno, viscoso e desregular; era um homem desconhecido, ao chamá-lo e mexer nele percebi que estava morto. Assustada, liguei para a polícia.
    A polícia retirou o corpo e verificou a filmagem das câmeras dos vizinhos.
   Um homem caminhando foi abordado por três rapazes, queriam dinheiro, porém a única coisa que o homem tinha eram chaves, provavelmente de sua casa. Insatisfeito, um dos rapazes atirou no homem e saiu correndo. Com muita dificuldade, a vítima se arrastou até a porta de minha casa, apertou a campainha e expirou.
   Nunca tinha imaginado que a morte chegaria tão perto da minha casa, da minha família, ela parecia distante, presente apenas nos noticiários diários (Dez pessoas são mortas e um PM é baleado em São Paulo), e vê-la na minha porta foi um susto, uma decepção: como um ser humano é capaz de destruir um semelhante de forma tão mesquinha, bárbara sem nenhum motivo?
                                                        ROSELI RODRIGUES RITTER

O dia que acordei com os dois pés esquerdos

    Acordei com uma sensação estranha, olhei no relógio e não queria acreditar que estava na hora de enfrentar mais um longo dia de trabalho.
  Enquanto escovava os dentes, vagando entre o sono e a vigília, fui surpreendida pelo som da campainha, que penetrou pelos meus ouvidos como uma sirene de incêndio, pois não era hora de receber visita.
    Corri para a porta, mesmo com o meu sexto sentido dizendo para não ir, ao abrir a porta avistei um homem deitado aos meus pés, olhei em volta e não vi nada.
   Apesar do pavor que dominava meu ser, abaixe-me e toquei o homem, o mundo girou, meu estômago embrulhou: ele estava morto.
   O que teria acontecido? Como esse homem morto feio para na minha porta? Quem tocou a campainha? Como não ouvi nenhum barulho? Minha cabeça não parava de tentar achar uma explicação para o acontecido.
    Meus pés pareciam estar acorrentados ao morto, pois, queria correr e não conseguia, quando finalmente libertei meus pés corri e liguei para a polícia.
     Meu dia foi muito mais longo do que podia imaginar.          
                                                 MICHELLE CRISTIANE MELO REIS

Uma noite daquelas!  

    Abro os olhos e observo o relógio na cabeceira. São 4 da manhã e ainda não tive uma noite digna de sono.  Os barulhos da cidade grande parecem inundar o meu apartamento. Carros, música, gente sorrindo... A vida é muito mais excitante lá fora. Até o vizinho do 307, normalmente tão quieto, resolveu se divertir hoje. Cadeiras sendo arrastadas, objetos caindo e o “tec tec” de salto alto torna minha noite ainda mais insuportável.  No meu quarto, o marasmo impera e nada acontece.
    Sem muita alternativa, me levanto e vou ao banheiro. Escovo os dentes e quando estou lavando o rosto escuto a campainha.
- Campainha?  Quem será? Enxugo rapidamente o rosto, saio do banheiro e, receosa me aproximo da porta.
- Quem é? Grito e não obtenho resposta.   Sob a proteção da corrente da tranca, abro cuidadosamente um pouco a porta.
- Quem é? Vou chamar o síndico! Quem é? 
   Olho para baixo e vejo o que parece ser um homem caído na soleira da minha porta. Meu coração dispara, mas ao mesmo tempo, num ato de coragem e curiosidade, abro a porta. Procuro desesperadamente por mais alguém ao redor, mas não há ninguém no corredor.
   Me abaixo e toco o seu rosto com os dedos. Sua pele esta fria e rígida. Morto, ele esta morto. Fico paralisada e por um instante parece que o Mundo para, não ouço mais nada, o silêncio domina.
   Recobrando os sentidos, percebo que aquele rosto é familiar. É o meu vizinho, o homem do 307 caído à minha porta. Corro até o telefone e ligo para a central de polícia comunicando o fato.
    Retorno à porta e fitando aquele corpo imóvel, começo a pensar: o que teria acontecido com ele? Assassinado?  Foi a mulher do salto alto? Passou mal e veio procurar ajuda? Olho para o final do corredor e vejo o sol entrando pela janela. Já é dia e minha noite que parecia nada interessante acabou se tornando um redemoinho de surpresas, enfim a vida parece excitante também aqui no meu quarto.
                                          KÁTIA ELIANE CARVALHO GONÇALVES



Gostaram? Críticas ou elogios?
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Nossos depoimentos sobre leitura...

   Todos nós temos experiências com a leitura, seja da infância com os pais contando ou lendo uma história; da adolescência em que fizemos leituras obrigatórias e outras prazerosas; seja da vida adulta no nosso trabalho e no lazer. Cada uma dessas experiências contribui para o leitor que somos hoje; são todas, portanto, importantes, porém nem sempre lembramos delas. Ao ler recordações de leitura, podemos ter essas vivências acordadas, rememoradas e refletidas, o que contribui para ampliar nossa consciência enquanto sujeitos do conhecimento.

   Nossos depoimentos sobre leitura:

Roseli Ritter


    A vida é cheia de gostos e predileções, por isso quando tentamos algo novo o resultado pode ser a decepção ou surpresa.


Alguns títulos da 
Série Vaga lume.
    Tinha 16 anos, 2º colegial, já havia feito muitas viagens pelo mundo dos livros. Livros de aventura, de mistério e de ação (Sidney Sheldon, Agatha Christie e muitos da Série Vaga Lume). Literatura brasileira? O que é isso? Hum, tinha lido A Moreninha na 7ª série, foi interessante, mas meloso demais. Agora o desafio era Vidas Secas. Que tédio, que marasmo, tudo era tão quente, devagar, desanimador, seco. Não consegui ler o livro inteiro (que foi achado numa prateleira por acaso e peguei porque a professora já tinha falado aquele nome várias vezes).

Capa da obra Vidas Secas,
Graciliano Ramos. 

   Três anos depois, na faculdade, após outras leituras e experiências, Vidas Secas cruzou novamente meu caminho, mas nosso encontro foi diferente: cada palavra tinha novo sentido e percebia que o ritmo lento da leitura era proposital, novo, fascinante; que cada palavra era cuidadosamente escolhida. E esse novo encontro me fez gostar ainda mais da nossa língua e me deixou curiosa e preparada para mergulhar em outros livros de nossa literatura. Também aprendi que nem sempre estamos prontos para certos encontros.


    Como disse Heráclito de Efeso "Nós não podemos nunca entrar no mesmo rio, pois como as águas, nós mesmos já somos outros".




   O depoimento de Roseli nos faz pensar que para alguns livros temos que ter um certo amadurecimento como leitores. Cada vez que fazemos uma releitura nossa interpretação é diferente. Com o passar do tempo novas experiências foram vividas e redescobrimos novos significados.
   
   Agora vamos ao depoimento da Michelle, relato de como a leitura e a escrita lhe ajudou a desenvolver a sua visão política social dos fatos em plenos anos 80, final da ditadura militar no Brasil.
  
Michelle Reis

    Olá colegas,
    Aqui segue minhas lembranças.



   Essa atividade é realmente algo incrível, pois trás a tona vários fatos da minha história que achava ter esquecido. Fui alfabetizada em casa por minhas primas e fui para a pré-escola com cinco anos, muito cedo para a época e já sabendo ler e escrever, porém meus pais não tinham o hábito de ler e não me incentivavam a ler.


Capa da obra Trapezunga 
e Terreirão, 
Chico Alencar.

   A primeira experiência com o mundo da leitura e escrita foi com a cartilha caminho suave, lembro-me que gostava muito das histórias.Mas tarde já no fundamental II, lembro-me de um livro para didático chamado Trapezunga e o Terreirão, uma fábula sobre a abolição de Chico Alencar, que me marcou bastante, pois, me fez viajar pela primeira vez em uma história e também trocar as sensações que tive com meus amigos da escola. A história era sobre galinhas e se passava em um terreiro, mas, eu consegui ver claramente a mensagem sobre a luta pela abolição dos escravos no Brasil... Aqui talvez tenha aflorado minha visão política social dos fatos. 



  Tive a sorte de ter tido professores que nos ensinaram a não aceitar tudo que estava escrito e sempre ir atrás de algo mais, de termos senso crítico. E reescrever os fatos de outro ponto de vista. Era o final do regime militar.
 
    Assim, outro fato que me marcou foi uma redação sobre a copa do mundo de 1986 (eu estava na sexta série), onde eu criticava o nacionalismo exagerado na época da copa do mundo e o descaso com os problemas sociais nos outros três anos e onze meses que se seguiam, tirei nota dez e fiquei imensamente feliz, e meu lado socialista se consolidava naquele momento. 

   Gosto muito de escrever, porém, tenho dificuldade em sintetizar as ideias, talvez por achar que estou conversando com alguém quando escrevo. 

   Para mim a leitura sempre esteve ligada a apropriação de conhecimento e eu sou ávida por conhecimento.



   Michelle sempre acreditou, desde muito jovem, que a Leitura esta ligada a apropriação de conhecimento. No nosso próximo depoimento, Ivanete nos relata que também começou muito cedo a sua experiência com leitura e escrita.

Ivanete Pereira Santos


   Olá pessoal, minha experiencia com a leitura e a escrita começou cedo pois sempre fui muito ansiosa e tudo que eu via perguntava e queria saber do que se tratava.
   
   Nasci em uma família humilde, meus pais não eram alfabetizados e minha mãe fez de tudo para que pudéssemos estudar ela dizia que não queria que fossemos como ela ao contrario de meu pai que dizia que mulher não precisava estudar. 

Capa da Cartilha
Caminho Suave,
Branca Alves de Lima.
   Meus irmãos mais velhos apesar de ter estudado até a quarta série (antiga) me ensinaram a ler e escrever, graças a eles quando comecei a primeira série do ensino fundamental aos sete anos não encontrei muitas dificuldades para acompanhar a Cartilha Caminho Suave, foi com a mesma que comecei a aprimorar os meus conhecimentos. Sempre gostei muito de ler e escrever mas para mim foi muito difícil ir contra a opinião de meu pai mas mesmo assim nunca desisti pois meu sonho era ser professora.

   Aos 14 anos trabalhava e estudava mas, só consegui realizar meu sonho com quase trinta anos porque ganhava pouco e não tinha ninguém para me ajudar, hoje sou professora de matemática e me sinto feliz e realizada afinal este era o meu sonho.



   Ivanete teve perseverança e manteve o objetivo de estudar e realizar o seu grande sonho. Já Rosalva nos conta como na sua própria casa, ali ao alcance de suas mãos,  havia um mundo mágico de livros e revistas.

Rosalva Teixeira Barro
   
Histórias em Quadrinhos
Edição Maravilhosa Nº 65 
Ben-hur ,Editora Ebal.
   Os livros sempre me fascinaram, desde pequena, quando aprendi a ler e escrever. Nesta época, descobri numa escrivaninha em casa o mundo mágico dos livros e revistas. Naquela época as revistas "Edições Maravilhosas" em quadrinhos (branco e preto) traziam histórias de "Ben Hur","O Menino do Engenho", "Doidinho", "Os Dez Mandamentos" e outras histórias baseadas em livros ou filmes da época. 

Vista interna da publicação.

 Descobri que aquela escrivaninha guardava as revistas e livros de quando meu pai, solteiro, possuía uma banca de revistas na cidade. Quando a fechou, livros e revistas que sobraram foram colocados na escrivaninha. Toda noite ia até ela e meu mundo se transformava. Aquela escrivaninha me apresentava leitura de todos os gostos, como cardápios literários prontos para serem devorados. "Devorava" uma leitura após a outra, viajava pelas histórias, conhecia pessoas com ideias interessantes, ficava alegre, triste, pensativa, participava de uma verdadeira ginástica para a criatividade e a imaginação. Os livros me empurraram para a vida com uma certeza de que eu poderia modificar a minha história e fazer a diferença neste mundo.




  As Histórias em Quadrinhos melhoram as habilidades de leitura, compreensão e imaginação. Como foi com a Rosalva, a Katia teve o gosto pela leitura despertado com a ajuda dessas revistas também, mas só depois de uma resistência inicial...


Katia Gonçalves



    Olá Colegas...



   Fui alfabetizada no primeiro ano do Ensino Fundamental. Era 1981 e me lembro perfeitamente de chegar à escola e ser recepcionada por Dona Rosa, minha primeira e inesquecível professora. Foi ela que me ensinou as primeiras letras, números e sílabas...Ah, Meu Deus! Como as sílabas eram difíceis...

   Entrei na escola sem nenhum conhecimento na nossa língua. De família humilde, meus pais tinham que trabalhar muito para garantir o nosso sustento. Eu ficava com minha avó, senhora maravilhosa e de valores morais e éticos que são exemplos para mim até hoje. Mas ela era analfabeta e não tinha nenhuma contribuição leitora ou escritora a me fornecer. 

  Sem a devida atenção e dedicação anterior dos meus familiares, as dificuldades foram aparecendo. Em uma das primeiras atividades da minha Cartilha Caminho Suave (livro que foi usado para a minha alfabetização), tive muita dificuldade para ler um pequeno texto em uma chamada oral. Era a primeira vez que estava juntando letrinhas e as temidas sílabas estavam me vencendo! Fiquei muito triste e até chorei na sala. Mas com toda paciência e dedicação ela contornou aquela situação e logo consegui ler esse e todos os outros textos.

Livro O Pequeno Polegar,
Charles Perrault.
    Por um bom tempo, para mim, leitura era uma "coisa de escola", que tinha que ser feito na sala de aula e com a professora. Mas, quando fiz nove anos, meus pais fizeram uma festinha simples de aniversário e, entre as bonecas e brinquedos, apareceu um livro. Livro?!? Pensei eu... Como alguém tem coragem de dar um livro a alguém? Mas que absurdo!

   Era um livro do Pequeno Polegar, que depois de uma resistência inicial, foi lido por mim e, para minha surpresa, achei aquela história fascinante: um menino pequenino e tão esperto e corajoso ao mesmo tempo. Cada vez que eu relia o livro, ficava imaginando maneiras diferentes para que ele conseguisse vencer as dificuldades. Naquele momento percebi: Ler era muito bom...

Revista
Superinteressante,
Editora Abril.
   A partir do livro Pequeno Polegar, o interesse à leitura floresceu, e o próximo passo foram as Histórias em Quadrinhos, principalmente de super- heróis e ficção científica. A Ciência começava a me interessar. Os questionamentos começavam... Em busca de respostas, logo me interessei pela Revista Superinteressante e livros sobre Biologia e Química (a minha paixão!).

   Imaginem se eu não tivesse lido aquele livro do Pequeno Polegar, onde estaria agora?








Gostaram? Será que temos algo em comum?
Conte-nos suas experiências, recordar faz bem à mente e a alma e desperta as emoções!
Venham participar conosco!
Um grande abraço.